Há anos fala-se na construção na Estrada do Contorno via BR-356, em Itaperuna. O município tem, de acordo com o Censo de 2010, 95.841 habitantes, o que corresponde a 30,2% da população do Noroeste Fluminense. É uma das principais cidades do interior e se destaca como polo universitário, de serviços e médico de alta tecnologia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da publicação Regiões de Influência das Cidades 2018, inclui Itaperuna entre os 15 núcleos populacionais do Estado do Rio que exercem influência sobre a sua região. No Noroeste, além de Itaperuna, segundo o mesmo estudo, há Santo Antonio de Pádua, com a diferença – a favor de Itaperuna – de que sua influência alcança a divisa com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

A partir dos anos 90, Itaperuna evoluiu muito no setor de serviços com a instalação de uma grande universidade e, também, em razão dos avanços da medicina de alta tecnologia no Hospital São José do Avaí, que teve início em meados dos anos 80.

Constatado o aumento da população e do fluxo de turistas com a diversidade e modernização do setor de serviços, o tráfego urbano tornou-se cada vez mais congestionado, exigindo uma resposta do planejamento viário, considerando o tráfego da BR-356 pela cidade.

Refletindo sobre a implantação da Estrada do Contorno, por ocasião da conclusão do curso de especialização em Engenharia Urbana na Escola Politécnica da UFRJ, sob orientação da professora e engenheira de transportes, Eva Vider, foi apresentado, em 2019, uma proposta de implantação de um arco logístico ao redor de Itaperuna que se integraria ao projeto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para o contorno da BR-356, tendo, como propósito, além da mitigação dos problemas de trânsito, a possibilidade de transformar Itaperuna num grande centro logístico no interior do Estado do Rio de Janeiro, considerando sua posição geográfica e no sistema viário federal e estadual.

Há alguns anos, o Governo Federal anunciou a intenção de criar um corredor logístico internacional conectando o acesso aos oceanos Pacífico ao Atlântico, através de uma ferrovia, a EF-354. A ferrovia ligaria o Peru ao Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. Um projeto fabuloso e importante, que poderá acelerar o desenvolvimento econômico também do Noroeste, considerando o potencial de diversos setores como agropecuária, indústria, minério e turismo.

Na proposta para o Arco Logístico de Itaperuna via BR-356, foram considerados alguns aspectos estratégicos para a sua localização em relação aos vetores de crescimento da cidade, as diretrizes do Plano Diretor de Itaperuna no que se refere ao sistema viário e ao zoneamento de uso industrial, além dos diagnósticos do Plano Estratégico de Logística e Cargas do Estado do Rio de Janeiro (PELC/RJ 2045) e do Plano Aeroviário do Estado do Rio de Janeiro (PAERJ – 2002/2021).

Em relação aos vetores de crescimento de Itaperuna, nota-se uma tendência de interiorização a partir da margem esquerda do Rio Muriaé, o que certamente coincide com o traçado projetado pelo DNIT para a Estrada do Contorno e que irá requerer do município, um rigoroso controle de ocupações nas imediações da via, evitando que ela seja transformada numa via urbana com diversos pontos de cruzamento, o que contrariaria o objetivo original da obra, que é o de garantir agilidade ao tráfego da BR-356.

Observa-se, também, que Itaperuna está localizada na interseção de dois eixos logísticos: O Eixo Multimodal do Açu e o Eixo Rodoviário Região Serrana – Noroeste Fluminense, de acordo o PELC/RJ 2045, ampliando a possibilidade de um núcleo logístico na região.

Numa edição de 2013 do Mapa Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro, uma publicação do DNIT, o possível traçado da EF-354 surge cruzando o território fluminense a partir de Laje do Muriaé, passando bem próximo a Itajara, distrito de Itaperuna, seguindo pelo município de São José de Ubá, sede de uma unidade das Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa/RJ), até cruzar com a BR-356 nas imediações de Campos dos Goytacazes chegando, enfim, à região do Porto do Açu. A maior parte do traçado está na margem direita do Rio Muriaé, na mesma posição geográfica do Arco Logístico proposto.

A Confederação Nacional de Transportes (CNT), entidade fundada em 1954 que reúne 27 federações, 5 sindicatos nacionais e 155 mil empresas, defende o aprimoramento das políticas públicas e de planejamento, incluindo o transporte de cargas na formulação de projetos urbanos.

O Arco Logístico de Itaperuna via BR-356, contribuiria com todo o sistema viário do Noroeste, porque integraria de forma direta as rodovias RJ-220, RJ-210, RJ-198 com a BR-356, a partir da margem direita do Rio Muriaé e de forma indireta as RJ-116, BR-393, BR-101 e Via Dutra. Além disso, sua implantação do Arco contribuiria para melhorar a conexão acesso ao Aeroporto Regional Ernani do Amaral Peixoto.

Com informações de Diário do Rio.

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